quarta-feira, 4 de abril de 2012

Cidadania


Apesar de ser artigo de abertura do Jornal Ideia Frescas não podemos deixar de publicar aqui este texto, com os nossos parabéns pelo excelente exercício de cidadania!

CIDADANIA
Surgido no reino de Castela em meados do século XIV, o termo, e cargo, de ouvidor alargou-se posteriormente a todos os reinos da Península Ibérica e respetivas possessões de África e América até finais do século XIX na sua conceção inicial: o ouvidor ouvia, não só o rei como os seus súbditos, comportando-se como um intermediário entre eles e tomando, muitas vezes até, decisões em nome do rei. Cada ouvidor tinha a sua jurisdição e a sua área ou território de atuação.
O termo manteve-se até hoje. Mas, de certa forma, inverteu-se o seu sentido: hoje o ouvidor – ou provedor como é mais conhecido em Portugal – tem como função receber críticas, sugestões ou reclamações e deve agir em defesa, sempre imparcial, da comunidade que representa – a sua ouvidoria.
A Associação de Pais e Encarregados de Educação numa escola é a sua ouvidoria. Mas talvez não só; aliás é mesmo bastante mais do que isso.
Num Centro Escolar como o nosso, em que os seus membros são eleitos anualmente em assembleia geral e trabalham por amor à camisola:
1.  é parte diretamente interessada: a comunidade que representa são os seus filhos e educandos; e não há ninguém que mais aguerridamente defenda os seus filhos do que os seus pais. Logo é a parte que ouve as reclamações (algumas nem sempre justas, diga-se em abono da verdade) por parte dos pais e educadores e tenta dar-lhes o mais adequado encaminhamento;
2.  é a parte imparcial: ouve os coordenadores, professores e assistentes operacionais da escola, com quem direta e diariamente pedagogicamente interagem, sugerindo, quiçá, eventuais hipóteses de solução de conflitos ou divergências que sempre surgem;
3.  é a parte operacional: ouve o Agrupamento e a Autarquia, dos quais diretamente depende, igualmente opinando, ou reclamando, sobre possíveis soluções no sentido de melhorar a escola;
4.  é a parte de apoio logístico: ouve e concretiza os pedidos de apoio da escola, quando, sempre e se possível, na aquisição de material considerado, pelas partes responsáveis, necessário, bem assim como comparticipando monetariamente nas visitas de estudo;
5.  é a parte lúdico-pedagógica: ouve e sente o pulsar da escola no sentido de organizar atividades que congregam a comunidade, quer em exposições, feiras, festas ou outros eventos similares e considerados adequados.
Tive a rara oportunidade de participar na génese da Associação de Pais e Encarregados de Educação desta Escola EB1/JI de Paredes. Comigo um excelso grupo de pais que, coincidentemente ou não, também são docentes. Isso, aliás, permitir-me-ia acrescentar um sexto ponto à listagem acima – o de conhecerem uma escola por dentro – o que me permitiu ouvir uma outra dimensão da escola, a endógena, difícil de o fazer não tendo sido dessa forma.
Por isso sinto-me extremamente orgulhoso por a Associação aí estar, a atuar.
E vós, pais e encarregados de educação dos alunos do Centro Escolar de Paredes, podem ter a mais cristalina das certezas de que um dos maiores – se não o maior – atos de cidadania que podem, e devem, praticar é de colaborarem com a Associação: ela é de todos, por todos e para todos.
Pais e Encarregados de Educação do Centro Escolar de Paredes: há que arregaçar as mangas e colaborar. Cidadania é isso.

Emídio Gardé
Fundador e ex-presidente da direção da
Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola EB1/JI de Paredes

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